Centro de saúde e CAPSi – Uma Conversa sobre os Autismos e o Filme do MPASP

No dia 17 de setembro realizamos o encontro: “Uma Conversa sobre os Autismos” e a exibição do curta-metragem “O Silêncio que Fala”- de Miriam Chnaiderman e produzido pelo MPASP- seguido de um debate no Centro de Saúde de Pinheiros em São Paulo. Teve a coordenação e a fala da psicóloga e psicanalista Denise C. Cardellini e a fala da neurologista Dra Adriana A. Espíndola, que trataram do tema a partir da experiência clínica institucional nessa unidade pública.

Estiveram presentes profissionais do C.S. das respectivas áreas: médica, enfermagem, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, assistência social, auxiliares de enfermagem, atendentes e  gestores da unidade.

Com o propósito de estabelecer uma inédita articulação com o Capsi da Lapa, convidamos o psiquiatra Wagner Rañna e a psicanalista Silvia Pechy para participarem desse debate. Também compareceram outros colegas psicanalistas.

A apresentação partiu do histórico do Autismo desde que Leo Kanner em 1943 descreveu o quadro clínico como da “Síndrome Autística do Contato Afetivo” e das mudanças nas perspectivas conceituais e clínicas. Foi ressaltado o avanço das pesquisas e estudos teórico-clínicos além da concepção neurobiológica com trabalhos que tratam da constituição do psiquismo, no referencial psicanalítico.

A Clínica com crianças no Centro de Saúde de Pinheiros com os referenciais da Saúde Mental e da Psicanálise atua através de um trabalho interdisciplinar (neurologista, psicóloga, fono e assistente social) com projetos singulares em atendimentos individuais e grupais. Atende crianças e suas famílias com diversas sintomatologias não sendo um serviço especifico para casos de pessoas com autismo.Percebe-se um aumento dos casos com risco de autismo que estão sendo encaminhados pelas creches, escolas e por outros profissionais da unidade. O trabalho intersetorial ocorre por meio das conexões com as escolas  e se move também, pela busca por estratégias territoriais.

As vinhentas clínicas mostraram as diferentes manifestações clínicas do autismo – temos dois meninos de 5 anos, sendo que um tinha uma linguagem com algumas palavras intelígiveis e hipersensibilidade aos ruídos, ao chegar na sala colocava as mãos nos ouvidos se escutava algum ruído, mas sentava na cadeira para “brincar”. E o outro tinha a linguagem ausente, mas ao longo do atendimento foram surgindo palavras endereçadas à terapeuta, e no ínicio, às vezes, utilizava a mão da psicóloga para encontrar o objeto que queria alcançar. Mais agitado, se jogava no chão e batia nas paredes.

Outras questões foram apresentadas como: a complexidade etiológica, o cuidado do diagnóstico na infância, a neuroplasticidade do cérebro, e a importância da intervenção e detecção precoce.

A fala da neurologista teve sua fundamentação nos aspectos neurobiológicos e mesmo com o desenvolvimento de novas pesquisas e estudos do cérebro, não temos ainda hoje, um marcador biológico que possa ser considerado específico para o autismo. A avaliação neurológica consiste em algumas investigações neurofisiológicas ou por neuroimagem ou estudos citogenéticos, de acordo com os achados da história e exame. Algumas condições clínicas aparecem associadas a um quadro de autismo: Síndrome do X-frágil, esclerose tuberosa, rubeóla congênita e fenilcetonúria não tratada. E com relação à neuroquímica, ela mencionou que a elevação nos níveis de serotonina nas plaquetas é um achado  consistente no autismo infantil. Quanto ao recurso da medicação é o último a ser pensado e concorda com a abordagem multidisciplinar para o tratamento, o mais precoce possível.

No debate, a questão do orgânico versus psíquico gerou pontuações para a superação dessa dualidade, levando a discussão para os aspectos do  tratamento e da inclusão social das pessoas com autismo. Nesse sentido, o filme  enriqueceu o diálogo, pois aborda com os depoimentos dos pais a importância fundamental da intervenção precoce e a abertura da ”janelinha” do sujeito para o mundo, com o tratamento e suporte familiar. Também foram discutidas  as dificuldades dos pais para conseguirem manter seus filhos nas escolas regulares, mesmo quando tem tutor, a criança não pode ficar todo o período.

Assim, os profissionais da saúde do C.S. de Pinheiros, tomaram conhecimento da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA , do documento “Linha de Cuidado na Atenção Integral às pessoas com transtornos do Espectro do Autismo e suas Famílias no SUS” bem como do Movimento Psicanálise Autismo e Saúde Pública (MPASP). E perceberam que estão implicados nesse trabalho de acompanhamento do desenvolvimento psíquico e dos sinais de risco de crianças para o autismo.

Nesse encontro, a aproximação com os profissionais do CAPSI mostrou na discussão a fertilidade da parceria e tem o desejo de que a rede entre os serviços possa ser fortalecida e produtiva.

Se, hoje, as pessoas com Síndrome de Down têm um lugar social, com maior reconhecimento de todos, esperamos que as pessoas com autismos nas suas singularidades, da mesma forma, tenham tratamento e circulação social.

Denise Maria Cardoso Cardellini  – Psicanalista do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes e Psicóloga do Centro de Saúde de Pinheiros.

Autismo e psicanálise em debate em Sorocaba

No dia 03 de setembro, ocorreu em Sorocaba um encontro sobre Autismo e Psicanálise, organizado pelo NEPS-R – Núcleo de Estudos em Psicanálise de Sorocaba e Região. O filme produzido pelo MPASP, O silêncio que fala, foi um disparador rico que motivou os participantes a discutirem o tema.

Qual  é  a  maneira  na  que  a psicanálise entende o autismo?

Qual a diferença do diagnóstico para a psicanálise e para  as outras áreas de conhecimento, como a psiquiatria?

Essas e outras questões apareceram no debate, coordenado por Delia M. De Cesaris, fundadora do NEPS-R.

Saiba mais na resenha abaixo.

 

RESENHA DEBATE FILME EM SOROCABA

Workshop Internacional – TRAUMAS E CATASTROFES ATUALMENTE

TRAUMAS E CATASTROFES ATUALMENTE

Workshop Internacional 11 de abril 2015

Universidade Paris Diderot, UFRJ, UNIFESP e USP

Horário : 9 :30 às 17 :00 hs

Endereço : Rua Sena Madureira, 1500 – 4° andar, Vila Mariana,

São Paulo- SP – Reitoria da UNIFESP

Workshop pluridisciplinar « Traumas e catastrofes atualmente »

 A violência em todas as suas formas – a fala, o corpo, a morte –

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Edição da revista Peste sobre autismo será lançada em Simpósio de Psicanálise da PUC-SP

Será realizado no dia 19 de novembro o 1º Simpósio do Núcleo de Pesquisa Psicanálise e Sociedade da PUC-SP. O evento, que acontece durante todo o dia, será encerrado com o lançamento do volume 4 de A Peste: Revista de Psicanálise e Sociedade e Filosofia, cujo tema é Autismo e Segregação. A entrada é fraca e não há necessidade de inscrição antecipada. Mais informações: http://bit.ly/1vVPbMi

peste

Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae III COLÓQUIO DE PSICANÁLISE COM CRIANÇAS: Onde está o pai? Desafios da atualidade na clínica com crianças.

Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae

III COLÓQUIO DE PSICANÁLISE COM CRIANÇAS: Onde está o pai? 

Desafios da atualidade na clínica com crianças.

Chamada para inscrição de trabalhos

 

         O DEPARTAMENTO DE PSICANÁLISE DA CRIANÇA do Instituto Sedes Sapientiae, promoverá nos dias 10 e 11 de outubro de 2014 o  III COLÓQUIO DE PSICANÁLISE COM CRIANÇAS: Onde está o pai? Desafios da atualidade na clínica com crianças. 

Não é nova a discussão sobre o declínio do lugar do pai e/ou da função paterna na psicanálise contemporânea. Diante das novas dinâmicas de estrutura familiar e de uma sociedade que impõe novas formas de subjetivação, como pensar esta questão na clínica com crianças?

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