Encontro em Cuiabá reúne profissionais e familiares na discussão sobre Autismo e Psicanálise

     O Grupo de Estudos em Psicanálise com Crianças de Cuiabá MT,  há dez anos se dedica ao estudo e reflexão de diversas questões, relacionadas a infância e a psicanálise com crianças, e desde o inicio do Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública, o grupo tem se dedicado a estudar mais profundamente o autismo sempre com o apoio da Dra. Adela Stoppel de Gueller.
      Um encontro realizado em Cuiabá, organizado pelo grupo de estudos, composto pelo psicóloga Eliane Andréia Guerra, Psicóloga Crislayne Ruffato, Psicóloga Gisele Margarida Zyger Magalhães, Psicóloga Maria Apare Emico Kajiura Rosa, Psicóloga Nilza Guimarães e Psicólogo Rafael de Souza Pereira Gomes, abordou com profissionais e familiares o documentário intitulado,“O Silêncio que Fala – Diálogos sobre os efeitos do tratamento psicanalítico com autistas”, produzido pelo MPASP – Movimento Psicanálise Autismo e Saúde Pública, dirigido por Miriam  Chnaiderman  e apresentado pela Dra. Adela Stoppel de Gueller. O evento teve como objetivo a projeção do filme e a discussão sobre o autismo e os efeitos do tratamento psicanalítico com crianças com autismo.
      A discussão do filme visou proporcionar um diálogo entre os profissionais de psicologia, fonoaudiologia e medicina, bem como, a comunidade acadêmica, os profissionais da educação e os pais de crianças autistas. Pretendeu-se com a realização deste projeto convocar a nossa atenção para as questões relativas ao autismo.

       O evento realizou-se no dia 19 de Setembro de 2015, das 9:00 às 11:30 no auditório do InterCity Hotel em Cuiabá – MT, foi promovido pelo Grupo de Estudos e contou com a parceria dos acadêmicos do curso de psicologia na divulgação e recepção dos profissionais: pedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, familiares de portadores de autismo e psicólogos que atuam na capital e no interior.

       A palestra teve inicio com a fala da professora Dra.  Adela Stoppel de Gueller que traçou um percurso histórico sobre o autismo , a psicanálise  e as políticas públicas no Brasil. Após a fala da professora Adela, foi exibido o documentário: “O Silêncio que Fala”. Fizeram parte da mesa a fonoaudióloga Alessandra Abdala, a Psiquiatra Infantil Daniela Carvalho, a Psicóloga e Gestora do CAPSi Curumirim de Cuiabá – MT Luciana Gomes, a mesa foi mediada pela Psicóloga Gisele Magalhães.
        No debate foram feitas colocações sobre o diagnóstico, as causas, a dificuldade da população para ter acesso aos profissionais especializados, a falta de políticas públicas para orientação dos pais de pessoas com autismo, a incidência de profissionais da educação comunicando diagnósticos aos pais e dúvidas dos pais com relação a escolha de escola pública ou privada para inclusão dos filhos com autismo.
       Ao final, os participantes comentaram acerca da importância que este evento trouxe ao divulgar, esclarecer e unir diferentes profissionais que atuam com pacientes com autismo e estudam o tema, favorecendo o aprimoramento técnico e a melhor a qualidade de vida do paciente.
 
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Centro de saúde e CAPSi – Uma Conversa sobre os Autismos e o Filme do MPASP

No dia 17 de setembro realizamos o encontro: “Uma Conversa sobre os Autismos” e a exibição do curta-metragem “O Silêncio que Fala”- de Miriam Chnaiderman e produzido pelo MPASP- seguido de um debate no Centro de Saúde de Pinheiros em São Paulo. Teve a coordenação e a fala da psicóloga e psicanalista Denise C. Cardellini e a fala da neurologista Dra Adriana A. Espíndola, que trataram do tema a partir da experiência clínica institucional nessa unidade pública.

Estiveram presentes profissionais do C.S. das respectivas áreas: médica, enfermagem, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, assistência social, auxiliares de enfermagem, atendentes e  gestores da unidade.

Com o propósito de estabelecer uma inédita articulação com o Capsi da Lapa, convidamos o psiquiatra Wagner Rañna e a psicanalista Silvia Pechy para participarem desse debate. Também compareceram outros colegas psicanalistas.

A apresentação partiu do histórico do Autismo desde que Leo Kanner em 1943 descreveu o quadro clínico como da “Síndrome Autística do Contato Afetivo” e das mudanças nas perspectivas conceituais e clínicas. Foi ressaltado o avanço das pesquisas e estudos teórico-clínicos além da concepção neurobiológica com trabalhos que tratam da constituição do psiquismo, no referencial psicanalítico.

A Clínica com crianças no Centro de Saúde de Pinheiros com os referenciais da Saúde Mental e da Psicanálise atua através de um trabalho interdisciplinar (neurologista, psicóloga, fono e assistente social) com projetos singulares em atendimentos individuais e grupais. Atende crianças e suas famílias com diversas sintomatologias não sendo um serviço especifico para casos de pessoas com autismo.Percebe-se um aumento dos casos com risco de autismo que estão sendo encaminhados pelas creches, escolas e por outros profissionais da unidade. O trabalho intersetorial ocorre por meio das conexões com as escolas  e se move também, pela busca por estratégias territoriais.

As vinhentas clínicas mostraram as diferentes manifestações clínicas do autismo – temos dois meninos de 5 anos, sendo que um tinha uma linguagem com algumas palavras intelígiveis e hipersensibilidade aos ruídos, ao chegar na sala colocava as mãos nos ouvidos se escutava algum ruído, mas sentava na cadeira para “brincar”. E o outro tinha a linguagem ausente, mas ao longo do atendimento foram surgindo palavras endereçadas à terapeuta, e no ínicio, às vezes, utilizava a mão da psicóloga para encontrar o objeto que queria alcançar. Mais agitado, se jogava no chão e batia nas paredes.

Outras questões foram apresentadas como: a complexidade etiológica, o cuidado do diagnóstico na infância, a neuroplasticidade do cérebro, e a importância da intervenção e detecção precoce.

A fala da neurologista teve sua fundamentação nos aspectos neurobiológicos e mesmo com o desenvolvimento de novas pesquisas e estudos do cérebro, não temos ainda hoje, um marcador biológico que possa ser considerado específico para o autismo. A avaliação neurológica consiste em algumas investigações neurofisiológicas ou por neuroimagem ou estudos citogenéticos, de acordo com os achados da história e exame. Algumas condições clínicas aparecem associadas a um quadro de autismo: Síndrome do X-frágil, esclerose tuberosa, rubeóla congênita e fenilcetonúria não tratada. E com relação à neuroquímica, ela mencionou que a elevação nos níveis de serotonina nas plaquetas é um achado  consistente no autismo infantil. Quanto ao recurso da medicação é o último a ser pensado e concorda com a abordagem multidisciplinar para o tratamento, o mais precoce possível.

No debate, a questão do orgânico versus psíquico gerou pontuações para a superação dessa dualidade, levando a discussão para os aspectos do  tratamento e da inclusão social das pessoas com autismo. Nesse sentido, o filme  enriqueceu o diálogo, pois aborda com os depoimentos dos pais a importância fundamental da intervenção precoce e a abertura da ”janelinha” do sujeito para o mundo, com o tratamento e suporte familiar. Também foram discutidas  as dificuldades dos pais para conseguirem manter seus filhos nas escolas regulares, mesmo quando tem tutor, a criança não pode ficar todo o período.

Assim, os profissionais da saúde do C.S. de Pinheiros, tomaram conhecimento da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA , do documento “Linha de Cuidado na Atenção Integral às pessoas com transtornos do Espectro do Autismo e suas Famílias no SUS” bem como do Movimento Psicanálise Autismo e Saúde Pública (MPASP). E perceberam que estão implicados nesse trabalho de acompanhamento do desenvolvimento psíquico e dos sinais de risco de crianças para o autismo.

Nesse encontro, a aproximação com os profissionais do CAPSI mostrou na discussão a fertilidade da parceria e tem o desejo de que a rede entre os serviços possa ser fortalecida e produtiva.

Se, hoje, as pessoas com Síndrome de Down têm um lugar social, com maior reconhecimento de todos, esperamos que as pessoas com autismos nas suas singularidades, da mesma forma, tenham tratamento e circulação social.

Denise Maria Cardoso Cardellini  – Psicanalista do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes e Psicóloga do Centro de Saúde de Pinheiros.

Debate em Fortaleza reúne profissionais e familiares em torno do tratamento psicanalítico com pessoas com autismo

Em evento promovido em julho pelo Centro de Referência à Infância (INCERE), instituição integrante do Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública (MPASP), foi exibido o filme “O silêncio que fala”, que suscitou um rico debate.

O documentário, produzido pelo MPASP e dirigido por Miriam Chnaiderman, traz à cena depoimentos de familiares de pessoas diagnosticadas com autismo sobre a especificidade do trabalho psicanalítico.

Após a exibição do vídeo, o debate – que contou com a participação de diversos profissionais que atuam nesses campos, além de familiares de pessoas com o diagnóstico de autismo (em torno de 40 pessoas) – percorreu questões relacionadas com o diagnóstico em suas múltiplas facetas, como os efeitos iatrogênicos do emprego amplo e irrestrito de classificações nosográficas, e o estabelecimento do mesmo em idades muito precoces frente à potência da neuroplasticidade cerebral na tenra infância. A discussão também trouxe questões pertinentes à etiologia de psicopatologias, em especial o autismo, recaindo uma crítica acerca do discurso médico-científico – ou mesmo de algumas abordagens psicológicas – que localiza a raiz de sua origem em fatores exclusivamente orgânico-biológicos. A hegemonia desse discurso recebeu, conforme cada participante retomava suas falas no debate, questionamentos que evidenciavam a importância da abordagem psicanalítica, tendo em vista que esta sublinha a relevância da subjetividade enquanto formada por vínculos e afetos constitutivos da experiência humana.

Alguns participantes sugeriram uma discussão e trabalhos que pudessem falar mais especificamente sobre o que fazem os psicanalistas nos atendimentos com autistas, pois isso não aparece de forma explícita no filme. Surgiu um posicionamento do pensamento psicanalítico que desvia de um discurso culpabilizante dos atores dos primeiros cuidados – em especial a mãe – e aponta para a necessidade de intervenção pais-bebê. Localizou-se ainda que a natureza da intervenção psicanalítica frente ao autismo apoia-se em uma intervenção precoce que privilegie o emprego de instrumentos mediadores com os fatores de risco, não recaindo em uma abordagem que categoriza fixamente o estado patológico do desenvolvimento, mas também possibilita a localização mínima dos impasses sobre os quais aposta em uma intervenção a tempo.

Fica evidente que o espaço de discussão acerca das questões que põem relevância no movimento abriga questões ainda abertas e, portanto, ricas em número de possibilidades e desenvolvimento teórico-prático. Como foi colocado por um participante do debate, há carência de momentos de discussão que oportunizem uma vasta gama de profissionais e de saberes acerca dos temas.

Luana Timbó e Edmilson Júnior (Equipe INCERE)

Autismo e psicanálise em debate em Sorocaba

No dia 03 de setembro, ocorreu em Sorocaba um encontro sobre Autismo e Psicanálise, organizado pelo NEPS-R – Núcleo de Estudos em Psicanálise de Sorocaba e Região. O filme produzido pelo MPASP, O silêncio que fala, foi um disparador rico que motivou os participantes a discutirem o tema.

Qual  é  a  maneira  na  que  a psicanálise entende o autismo?

Qual a diferença do diagnóstico para a psicanálise e para  as outras áreas de conhecimento, como a psiquiatria?

Essas e outras questões apareceram no debate, coordenado por Delia M. De Cesaris, fundadora do NEPS-R.

Saiba mais na resenha abaixo.

 

RESENHA DEBATE FILME EM SOROCABA