MPASP realiza debate sobre detecção e intervenção precoce diante de sinais de sofrimento psíquico

Quanto mais cedo são descobertos sinais de risco e de sofrimento psíquico em bebês, maiores as chances de que as intervenções e as estratégias clínicas colaborem para a não instalação de quadros psicopatológicos. Para compartilhar experiências e conhecimento nessa área, o Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública realiza painel de debates no sábado, 23 de novembro, entre 9h e 12h, em São Paulo.

 

São Paulo, 18 de novembro de 2013 – É possível mudar os rumos do desenvolvimento de um bebê em sofrimento psíquico? Como intervir com cuidado e consistência em situações de risco para o bebê e seus pais? Essas e outras questões centrais ao desafio de enfrentar o aumento no número de casos de pessoas com sofrimento psíquico atualmente, incluindo autismo, estarão em debate no painel que o Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública (MPASP) realiza sábado, 23 de novembro, com o tema “Detecção precoce de risco e sofrimento psíquico: possíveis intervenções”. O evento acontece entre 9h e 12h, no Anfiteatro Jandira Masur da Unifesp, em São Paulo (Rua Botucatu, 862, Edifício dos Anfiteatros, 1º andar). A inscrição pode ser feita pelo email contatompasp@gmail.com.

Entre outros pontos, o evento destacará como o acompanhamento de inúmeros bebês e suas famílias por uma rede de cuidados iniciais, incluindo os cuidados do psicanalista, tem demonstrado como se pode  favorecer vias alternativas e singulares tanto para o desenvolvimento físico – em momento de maior maleabilidade neural – quanto para a construção psíquica em situações de vulnerabilidade.

Segundo Eloísa Lacerda, da Clínica Interdisciplinar do Laço, e Maria Eugênia Pesaro, do Lugar de Vida, ambas integrantes do MPASP e responsáveis pela coordenação da mesa, “a experiência da psicanálise demonstra que a detecção precoce de sofrimento físico e psíquico pode ser fundamental tanto para a organização do vínculo mãe-pai-bebê quanto para a promoção da saúde não só da pequena criança mas da família, com efeitos importantes para toda a vida. É a isso que chamamos de prevenção, quando podemos oferecer ao bebê e a seus pais cuidados por meio da escuta atenta e do acolhimento do psicanalista. Os objetivos do encontro são refletir sobre iniciativas em andamento neste campo e debater ideias, dispositivos clínicos e educacionais, formas de trabalho e propostas que possam ser revertidas em ações de saúde na comunidade”.

O encontro do MPASP dá sequência à série “Temas cruciais do autismo, psicanálise e saúde pública”, na qual foram ouvidos profissionais que trabalham com pessoas com autismo em todo o país, em diversas instituições da rede pública e privada, a fim de compartilhar o trabalho clínico realizado e as intervenções possíveis.

A mesa do painel de debates terá como expositores os especialistas:

1)    Claudia Mascarenhas Fernandes – Doutora em psicologia clínica pela USP; especialista em psicopatologia do bebê pela Universidade Paris-Nord; Membro (fundadora) do Instituto Viva Infância, do Espaço Moebius de Psicanálise e da WAIHM (World Association Infant Health Mental).

Tema: “Pre-Aut: exemplos de experiências de uso – Capsinho Campina Grande”. Relato do caminho da psicanálise em intenção até a sua prática em extensão, na atenção aos primeiros anos de vida. Se no atendimento clínico, o trabalho com os bebês ou crianças que não falam, precisa ser tão delicado por buscar a singularidade e o caráter subjetivo da fala, a contribuição da psicanálise no âmbito social é conseguir transitar entre o geral e o singular. Pretende-se mostrar esse trânsito a partir de experiências concretas de como a psicanálise tem ferramentas para colaborar, na detecção precoce, com programas de políticas públicas.

 2)    Leda Mariza Fischer Bernardino – Analista Membro da Associação Psicanalítica de Curitiba e do Grupo Nacional da Pesquisa IRDI; pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Tema“A construção e o uso do protocolo IRDI: uma iniciativa pioneira em detecção precoce de riscos psíquicos no Brasil a partir da psicanálise”.

O protocolo IRDI resultou de uma iniciativa pioneira de articulação entre psicanálise, pesquisa e saúde pública. O IRDI é um protocolo que foi validado para uso pediátrico para que o médico acompanhe o desenvolvimento da criança de modo articulado à constituição psíquica. Por isso, são indicadores positivos, que chamam a atenção para o que vai bem e colocam em foco os movimentos subjetivantes, devem ser utilizados ao longo do tempo do acompanhamento dos primeiros 18 meses de vida da criança e servem como referência de leitura e não como pauta de conduta a ser observada. Desde o início, o uso dos indicadores clínicos em detecção precoce revelou uma vocação também de referência para a intervenção precoce. A metodologia IRDI resultou deste processo.

 3)    Cecília Harumi Tomizuka – Pediatra da UBS Parque Dorotéia/Organização Social Santa Catarina (SP);

Mariângela Mendes de Almeida – Mestre pela Clinica Tavistock e University of East London, coordenadora do Núcleo de Atendimento a Pais e Bebês do Setor de Saúde Mental do Depto de Pediatria da UNIFESP e membro da SBPSP; e

Vera Blondina Zimmerman – Doutora em psicologia clínica, supervisora do  Centro de Referência da Infância e Adolescência – CRIA, da UNIFESP, coordenadora do Projeto Bebês com sinais de risco em Saúde Mental.

Tema“O desenvolvimento psíquico acompanhado em rede a partir da atenção primária: da sensibilização de profissionais na UBS ao acolhimento psicanalítico e multidisciplinar.”

Nos serviços que compõem essa rede e ilustram a apresentação – Atendimento pediátrico em Unidade Básica de Saúde, Núcleo de Atendimento a Pais e Bebês (PEDIATRIA/UNIFESP) e Projeto Bebês com sinais de risco em Saúde Mental (CRIA/UNIFESP) – busca-se demonstrar a contribuição do olhar psicanalítico tanto na formação de profissionais da rede quanto para famílias e crianças no início do desenvolvimento de suas relações, discutindo possíveis inquietações e áreas que mereceriam ainda maior atenção. Um caso em vídeo será apresentado para aprofundar as reflexões acerca do percurso de bebês e crianças pequenas desde o contexto comunitário de Saúde e Educação, incluindo a formação de profissionais  de atenção primária para acompanhar aspectos do desenvolvimento emocional, passando pelo atendimento pediátrico local e integrado a serviços ambulatoriais de Pediatria e Saúde Mental a pais e crianças de 0 a 3 anos e 11 meses, chegando ao atendimento multidisciplinar em situações de vulnerabilidade psíquica.

 4)    Alfredo Néstor Jerusalinsky – Analista Membro da Associação Lacaniana Internacional; Analista Membro e fundador da Associação Psicanalítica de Porto Alegre; Doutor em Psicologia da Educação e Desenvolvimento Humano pela USP; Diretor Científico da Pesquisa IRDI (Indicadores clínicos de Risco psíquico para o Desenvolvimento Infantil); Assessor Científico da pesquisa para controle dos efeitos e resultados da intervenção precoce a partir da aplicação dos IRDI no IPREDE (Instituto para a Prevenção da Desnutrição Infantil – Fortaleza, Ceará); Diretor do Centro Clínico Interdisciplinar Dra. Lydia Coriat de Porto Alegre.

Tema“A estimulação precoce é altamente significante.”

Tal o princípio (inspirado na psicanálise e articulado aos processos da maturação neurológica) que deu lugar à fundação do Centro Dra. Lydia Coriat (1971 em Buenos Aires, 1978 em Porto Alegre). Com efeito, nos bebês e nas crianças pequenas (de 0 a 3 anos) há uma notável sensibilidade do sistema nervoso central que faz com que o modo em que ela for tratada adquira facilmente o valor de uma inscrição. É o que chamamos “permeabilidade biológica ao significante”, conceito que se complementa com a “plasticidade neuronal”. Os sistemas sensoriais nascem dissociados e se requer um trabalho de interseção e articulação de seu funcionamento para dar lugar às configurações preceptivas que permitam que o bebê atribua significados aos objetos e personagens circundantes. Por isso, desde muito cedo é necessário levar em conta que todo ato clínico sobre uma criança pequena terá consequências relevantes (às vezes decisiva) na constituição de sua condição de sujeito. Quando se trata de uma criança com afecções psíquicas e/ou problemas de desenvolvimento, normalmente são convocadas diversas especialidades a intervir terapeuticamente. É a partir disso que se requer um terapeuta capaz de medir esses efeitos e transformar as diversas intervenções necessárias num código único. Por isso, para não causar uma fragmentação psíquica numa criança já vulnerada, surge a necessidade do Terapeuta Único formado especificamente em Estimulação Precoce para intervir junto ao bebê e sua família, ambos desorientados perante a condição constitucional atípica. Tal o motivo da equipe ser interdisciplinar (os terapeutas específicos – psicólogos, pediatras, neuropediatras, psicanalistas, fonoaudiólogos, terapistas ocupacionais, fisioterapeutas, psicomotricistas, etc.) dando suporte nas interconsultas à intervenção desseterapeuta único mediante a criação de conceitos transdisciplinares.

DETECÇÃO PRECOCE DE RISCO E SOFRIMENTO PSÍQUICO: POSSÍVEIS INTERVENÇÕES

Programação

Data: 23/11

Local: Anfiteatro Jandira Masur da Unifesp, em São Paulo (Rua Botucatu, 862, Edifício dos Anfiteatros, 1º andar)

Agenda:

8h30: inscrições

9h: Abertura; seguida de apresentações

11h às 12h: debate

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MOVIMENTO PSICANÁLISE, AUTISMO E SAÚDE PÚBLICA – MPASP

O Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública reúne cerca de 400 profissionais ligados à saúde mental, incluindo psiquiatras, psicólogos, médicos pediatras, neurologistas, psicanalistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicopedagogos. São profissionais que atuam em mais de 100
 instituições nacionais (públicas, privadas e não governamentais).

O MPASP acredita que o atual cenário político do país se coloca como favorável em relação às políticas públicas de saúde mental, tanto pela disponibilidade do governo federal em implementá-las, pelo diálogo com os representantes da sociedade civil, como pela organização da sociedade civil para participar desse diálogo. Por essa razão, representantes do Movimento têm feito contato com várias esferas do governo, com o intuito de colaborar e de compartilhar os avanços da abordagem psicanalítica no atendimento a pessoas com autismo. Em audiência realizada com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o MPASP assumiu o compromisso de apoiar o Ministério no trabalho de articulação das duas propostas e campos – saúde mental e saúde para pessoas com deficiência para o atendimento dos autistas no SUS, no Comitê Nacional de Assessoramento para Qualificação da Atenção à Saúde das Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo, instituído pelo Ministério da Saúde (Portaria 962, de 22 de maio de 2013).

Para o MPASP, o trabalho clínico interdisciplinar de referencial psicanalítico abre inúmeras
possibilidades para que cada pessoa com autismo possa construir laços sociais,
 partilhar a celebração de viver e contribuir para a sociedade. Permite que os
  pais, muitas vezes desalentados pelo isolamento de seus filhos, possam ampliar a partir 
das intervenções terapêuticas os momentos de troca, contato e reconhecimento mútuo;
 favorece o processo de crescimento, desenvolvimento e constituição psíquica do filho; e
 possibilita que as aquisições de linguagem, aprendizagem e psicomotricidade sejam
  efetivas apropriações do filho com as quais ele possa circular socialmente (na família 
ampliada, na escola, na cidade), não de um modo simplesmente adaptativo, mas guiado 
fundamentalmente pelos seus interesses singulares. Quando realizado com bebês, o trabalho clínico interdisciplinar de referencial psicanalítico permite intervir a tempo, reduzindo enormemente e, em alguns casos, possibilitando a 
remissão de traços de evitação na relação com o outro.

No que se refere à educação e escolarização, os integrantes do MPASP, a partir de
 inúmeras experiências clínicas de inclusão bem-sucedidas, ressaltam a importância de 
propiciar, sempre que for possível e benéfico para a criança, sua inclusão nas escolas 
regulares.

 

Mais informações para a imprensa

Printec Comunicação www.printeccomunicacao.com.br

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Fábio Scrivano fabio.scrivano@printeccomunicacao.com.br

Vanessa Giacometti de Godoy vanessa.godoy@printeccomunicacao.com.br

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